Desde ontem que chove em Portugal e de norte a sul são sempre as mesmas situações. Actualmente a pluviosidade acontece mais concentrada no tempo e na quantidade, o que origina problemas, estragos, transtornos no quotidiano nacional. É noticia pela negativa, pois a sociedade está adepta das calamidades, dos estragos alheios, da própria morte.
Quando o que acontece pode ser resultado das alterações climáticas, que são o espelho da nossa forma de vida, do nosso urbanismo desenfreado e pouco planeado, da nossa própria dependência energética
Quando chove já não chove com alegria, com o sentimento de alimentar o ciclo, de alimentar a vida, os campos ou as culturas. Quando chove alimenta-se o nosso consumo energético, os níveis dos nossos rios e das nossas águas subterrâneas, aquelas que ainda são alimentadas.
Mas quando chove nas noticias aparece a calamidade, a tristeza das populações, os bens destruídos, as casas inundadas. As gentes desesperam e a culpa é da chuva. Não é da construção em leitos de cheia, da concentração das margens dos rios, da impermeabilização e edificação, dos sistemas de drenagem. Não. É sempre para a chuva.
Até parece que é um novo fenómeno, que antigamente não chovia e que as cheias não aconteciam. A água da chuva anualmente é causa de grandes desastres naturais, talvez até a causa mais destruidora de vidas e bens.
Se em alguns casos lidamos com fenómenos climáticos extremos, em outros lidamos com erros humanos de gestão e de planeamento. E pensar que continuam a ser cometidos os mesmos erros, quando os avisos são da própria chuva. Quantos mais problemas serão precisos, quantas mais vidas e bens destruídos, para que se modifique este panorama de estagnação e de culpabilidade.
Chuva... e mais chuva. Quando é que vem o bom tempo?